A frequente divulgação de notícias falsas na internet inspira reflexão de comunicadores do mundo inteiro. Atual como sempre, o papa Francisco propôs como tema anual das comunicações a passagem bíblica: "A verdade vos tornará livres", (Jo 8, 32) e, como lema: "Fake news e jornalismo de paz". Assim, o pontífice nos faz perceber a real necessidade de se construir novas narrativas, onde impere a verdade, a ética e a paz. Inevitavelmente, essa discussão nos direciona a pensar sobre o desenvolvimento da civilização e como os interesses foram falando cada vez mais alto em detrimento de um desenvolvimento coletivo.

 

A verdade possui um lado que comunicadores, principalmente quando cristãos, não podemos abdicar: o do direito humano, à vida e à participação.

 

É muito importante pensar sobre isso, pois a comunicação está plenamente atrelada a essa realidade de transformação e conquistas do ser humano, dando visibilidade a esses avanços. Mas, infelizmente, podemos afirmar que a verdade é um elemento em escassez na sociedade contemporânea, dando lugar aos interesses pessoais, políticos e econômicos que servem aos modelos de poder vigente.

 

Não importa se a verdade é dolorosa ou não atende aos meus interesses, mas sim, que ela é altamente pedagógica, pois ajuda a criar um mundo com transparência. Apesar de ser considerada discutível, a verdade possui um lado que nós, comunicadores, principalmente quando cristãos, não podemos abdicar: o do direito humano, à vida e à participação.

 

"Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade", papa Francisco, 2018.

 

Como gestor de uma associação de comunicação católica, reforço o convite do papa, para que promovamos um jornalismo baseado na verdade. Precisamos assumir o compromisso de levar a sociedade à descoberta da verdade pela investigação séria e comprometida com a vida das pessoas e do ambiente social e político. Isso não significa negar a existência de problemas graves, mas olhar para eles de maneira propositiva, motivando uma cultura de paz.

 

 

Frei João Romanini