O Papa Francisco recebeu nesta segunda-feira, dia 09, no Vaticano, os embaixadores junto à Santa Sé para o tradicional encontro no início do novo ano.

 

Na audiência, o Pontífice analisou a conjuntura política internacional ao tratar dos temas que mais preocupantes do cenário global.

 

O Santo Padre dedicou o seu discurso (leia na íntegra) à segurança e à paz. Ele considera que é importante dar uma palavra de esperança no atual clima de apreensão pelo presente e de incerteza e angústia pelo futuro.

 

Outro tópico abordado foi a violência, em especial a religiosa. Para o Pontífice, “ao invés de abrir aos outros, a religião pode ser usada como pretexto de fechamentos, marginalizações e violências”. Ele citou as vítimas do terrorismo no Afeganistão, Bélgica, Egito, França, Alemanha, Paquistão, Estados Unidos, Turquia, entre tantos outros países.

 

“São gestos vis, que usam as crianças para matar, como na Nigéria; tomam como sua mira quem reza, como na catedral copta do Cairo, quem viaja ou trabalha como em Bruxelas, quem passeia pelas ruas da cidade, como em Nice e Berlim, ou simplesmente quem festeja a chegada do Ano Novo, como em Istambul”, recorda.

 

O Papa faz um apelo a todas as autoridades religiosas para que se mantenham unidas em reiterar que nunca se pode matar em nome de Deus. O terrorismo fundamentalista “é fruto de uma grave miséria espiritual, que muitas vezes aparece associada a uma notável pobreza social”.

 

Por isso o Santo Padre pede aos líderes políticos que evitem abrir espaço para a propagação dos fundamentalismos, e promovam políticas sociais para combater a pobreza.

 

Falando dos encarcerados, o Papa manifesta sua gratidão a chefes de Estado ou de governo que acolheram seu convite a realizar um ato de clemência para com os reclusos. Neste contexto, o Pontífice diz estar convencido de que o Ano da Misericórdia foi ocasião favorável para descobrir a incidência da misericórdia como valor social.

 

O Papa Francisco também falou da migração e seus fluxos contínuos em diferentes partes do mundo, bem como da defesa das crianças para protegê-las da exploração, do trabalho clandestino e escravo, da prostituição ou dos abusos dos adultos. Ele denunciou também o comércio das armas e a insistência em produzir e disseminar armamentos cada vez mais sofisticados, e se mostrou preocupado com as experiências realizadas na península coreana.

 

Na área da sustentabilidade, o Papa declara que “edificar a paz significa também empenhar-se ativamente no cuidado da criação”. Para ele, o Acordo de Paris sobre o clima é um sinal importante do compromisso comum para deixar um mundo habitável para as futuras gerações, pedindo uma cooperação cada vez mais ampla para enfrentar as alterações climáticas.

 

Por fim, o Papa Francisco ressaltou que, atualmente, 182 países mantêm relações diplomáticas com a Santa Sé. O último a integrar o grupo foi a República Islâmica da Mauritânia, que assinou um acordo em dezembro de 2016.

 

 

RCR/RV